A morte de Ivan Ilitch e minha morte diária como bipolar

A Morte de Ivan Ilitch livro por Liev Tolstói, 1886

Após a leitura do livro de Tolstói, refleti que o meu viver se assemelha a narrativa do livro. 

Na história Ivan era um homem tido pela sociedade e por ele mesmo como bem sucedido no emprego, na família, na vida. No entanto com a chegada de uma doença súbita e a possibilidade da morte, ele começa a a rever sua vida, escolhas e pessoas ao seu entorno.

Chegando a conclusão que não era tão feliz quanto pensava e que investiu em questões materiais ao invés da própria felicidade. Com a dor percebeu que não havia ninguém que ele esperava ao seu lado, a não ser um criado que o via na simplicidade da certeza da morte com compaixão.

A angústia e a dor que não passa, o reconhecimento de suas faltas e ainda assim a negação das falhas me marca, como marca Ivan.

Querer ser melhor e não conseguir. Se ver presa em um leito de angústia e dor buscando justificativas para o que já foi e com o medo do que virá pela frente.

Uma melancolia que se assenta e mistura com a raiva dos porquês, 'por que eu?', 'por que não sou normal?', 'por que não sou saudável? sã?'.

Até entender que o questionamento não agrega em nada para nós. Que a tensão do que vem é a certeza do ser, da vida. Todos teremos este momento.

Se perder na ilusão do que poderia ter sido e na fantasia do que poderá ser, só torna a dor mais pungente e cruel. Não temos controle sobre isso. Só posso ver o agora e nos consolar com o caminho que nos é dado, mesmo que para nós pareça torto e acidentado.

Se não a vida não valerá a pena.

Viver será cruel demais. E o desistir se torna imperativo.

E digo que Ivan não desistiu. Ele se entendeu, se encontrou e aceitou o que a vida tinha a lhe oferecer...mesmo que tenha sido a morte.

Como bipolar a vida tem a me oferecer muito questionamentos, sofrimentos e dificuldades. A dor faz parte do dia a dia, a tristeza e a melancolia vira traço de personalidade. Porém assim como Ivan Ilitch chega a conclusão, também cheguei, devo viver o que há ainda, mesmo que seja um dia de dor, de angústia, em algum outro dia poderei viver outra perspectiva. E no final poderei fechar os olhos angustiados, mas cientes que fiz o que devia ter feito e trabalhei com o que eu tinha disponível; e isso é o suficiente para a fazer a vida ter sentido. 
"Campo de Trigo com Corvos" é uma das obras mais icônicas e dramáticas de Vincent van Gogh, pintada em julho de 1890. A tela retrata um campo de trigo sob um céu nublado e inquietante, com corvos voando, expressando emoções de solidão e tristeza, mas também vitalidade. É frequentemente associada às suas últimas semanas de vida. [1, 2, 3, 4]



 


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